quarta-feira, agosto 13, 2008
quinta-feira, janeiro 04, 2007
O segredo do sucesso. Se é que é segredo.
Retirado de: planeta.ubuntubrasil.org“O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.”
Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.
Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.
Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objectivo, pois ao contrário, acabará perdendo seu grande amor.
O sucesso é construído à noite! Durante o dia você faz o que todos fazem.
Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.
Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.
Não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso.
Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.
Terá de planear, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.
Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.
A realização de um sonho depende de dedicação.
Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica.
Mas toda mágica é ilusão. A ilusão não tira ninguém de onde está.
Ilusão é combustível de perdedores.“Quem quer fazer alguma coisa, encontra um Meio.
Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.”
domingo, março 26, 2006
SMART
Ele aplica-se à avaliação do desempenho, permite avaliar quão eficazes são os objectivos definidos pela secção X da empresa Y.
Mas deixemos de lado esse contexto e pensemos na nossa vida diária. Quantos de nós não traçamos as metas a alcançar este ano, no próximo ano, ou até em mais tempo? Já alguma vez pensaram se os objectivos que estabeleceram eram eficazes? Ou que o segredo do sucesso pode estar no modo como formulamos os nossos objectivos? Bem, sou sincera, não tinha pensado nisso até há bem pouco tempo! Mas o que vos disse é verdade e quis partilhar convosco o que aprendi em mais uma aula de técnicas de diagnóstico e intervenção I, porque acho que é importante, não só nos nossos actuais/futuros empregos (e até mesmo para aceder a eles para o contexto da entrevista), mas sobretudo na nossa vida pessoal.
Por isso, dou-vos um conselho: tracem objectivos SMART!

S (specific): planeamento detalhado do que há a fazer e como. Os objectivos generalistas tendem a ser menos eficazes.
M (mensurable): reflecte os vários aspectos mensuráveis e passíveis de verificação dos objectivos estabelecidos e que permitem compreender se as pessoas encarregues da sua concretização estão ou não em posição de alcançá-los.
A (agreed): este é o aspecto mais importante, que implica que os objectibos devem ser acordados previamente entre os intervenientes em causa, para que as pessoas estejam motivadas para percepcionar e sentir os objectivos estabelecidos com algo intrínseco a elas.
R (realistic): os objectivos só serão eficazes se forem realisticamente exequíveis.
T (timed): estabelecer prazos bem especificados.
Mas, não se esqueçam, é necessário um processo de feedback constante, isto é, revisão periódica dos objectivos, porque as exigência do meio são alteradas o que exige uma natureza mutável e dinâmica dos objectivos definidos.
Apliquem isto à vossa vida e ao vosso trabalho e penso que tudo será bem mais fácil! A grande lição é: não deixar os objectivos a pairar no ar!
in Do outro lado do Espelho...
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
sexta-feira, setembro 30, 2005
Jorge Morais
in 6 em 1 & algo +
quarta-feira, agosto 24, 2005
Portugal fez tudo errado, mas correu tudo bem
Havia até agora no mundo, países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.
Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.
A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinham também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.
Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido".- O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses. Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. "De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.
Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.
Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual. Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido.Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.
Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhante às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omni presente e bloqueante.
É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma:Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade. Citando as próprias palavras do texto: "Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento? A resposta, simples, é que ninguém sabe.
Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. "A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português.
No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável."O texto termina dizendo:
"O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".
João César das Neves
terça-feira, março 15, 2005
Você faz o que gosta???
Hoje em dia, o mercado de trabalho está cada vez mais competitivo. Por esse motivo, os profissionais precisam se especializar na área em que atuam, mostrando um diferencial, um destaque e se sobressaindo como um profissional de sucesso. Mas, por outro lado, surge a pergunta: você gosta do que faz???
Se você não está satisfeito com o seu trabalho, fica mais difícil competir. Muitas pessoas procuram uma profissão que traz um retorno financeiro bom, ou então fazem um certo curso porque “o pai tem o sonho que seu filho seja um médico”, por exemplo. Mas, se isso não é o que realmente a pessoa quer fazer, ela será feliz na profissão que “escolheu”???
A pessoa que não se encontra na profissão, não consegue dar o melhor de si, porque isso não lhe dá prazer. Conseqüentemente, ela não faz um bom trabalho, não tem um bom reconhecimento e acaba se tornando um péssimo profissional. E isso compensa???
A felicidade não está só no dinheiro e sim, em fazer as coisas de que se gosta. Um bom profissional é aquele que é feliz no que faz, porque é motivado a trabalhar. Assim, o serviço rende e se torna um prazer e não um dever.
Pense bem o que você quer para sua vida, ser um profissional frustrado ou um profissional de qualidade. Procure fazer o que lhe dê prazer. Por mais que isso não lhe traga um retorno financeiro agora, você terá um retorno futuro. Primeiro, descubra o que você gosta de fazer e depois se aperfeiçoe naquilo que você escolheu.
por Karin Menegalli
Publicado no site KMA Marketing Integrado
O sucesso do trabalho em equipa
A partir de um livro que estava lendo esses dias, “A quinta disciplina” (Peter Senge), comecei a fazer algumas reflexões sobre o tema trabalho em equipe.
Aprendemos, desde muito cedo, a fragmentar os problemas, dando a impressão de que isso os torna mais fáceis, porém, não conseguimos perceber que deste modo perdemos a noção intrínseca de conexão com o todo.
É necessário acabarmos com a idéia de que o mundo é formado por forças individuas, pois, somente desse jeito poderemos construir “organizações que aprendem”. Organizações nas quais as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam. Onde estimulem padrões de pensamentos novos e abrangentes. Onde o desejo coletivo ganhe liberdade e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas, para que juntas cresçam.
O mundo está cada vez mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos. O trabalho precisa ligar-se em profundidade com a empresa. Simplesmente não é mais possível encontrar soluções na alta gerência e fazer com que todos os outros sigam as ordens do “grande estrategista”. As organizações, que realmente querem ser bem sucedidas. Terão que descobrir como cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis da organização terão que ter um objetivo comum maior do que os objetivos individuais e, assim, gerar resultados extraordinários.
A disciplina da aprendizagem em equipe começa pelo diálogo (em grego dia-logos significa o livre fluxo de significado em um grupo, permitindo novas idéias e percepções que os indivíduos não conseguiriam ter sozinhos) estimulando a capacidade dos membros de deixarem de lado as idéias preconcebidas e participarem de um verdadeiro “pensar em conjunto”.
É interessante observar que muitas culturas “primitivas” , como a dos índios norte-americanos, preservaram a prática do diálogo, mas essa prática se perdeu quase que totalmente na sociedade moderna. Hoje, os princípios e as práticas do diálogo estão sendo redescobertos e inseridos em um contexto contemporâneo.
A disciplina do diálogo envolve também o reconhecimento dos padrões de interação que dificultam a aprendizagem nas equipes. Os padrões de defesa freqüentemente são enraizados na forma de operação da equipe. Se não forem detectados, minam a aprendizagem. Se percebidos e trazidos à tona de forma criativa, podem realmente acelerar a aprendizagem. E essa aprendizagem em equipe é vital, pois as equipes, e não os indivíduos, são a unidade de aprendizagem fundamental nas organizações modernas. Eis um ponto crucial: se as equipes não tiverem capacidade de aprender, a organização não a terá.
As pessoas têm o costume de se identificarem pelo seu cargo. Por exemplo, quando alguém pergunta a uma pessoa o que ela faz para viver, a maioria descreve as tarefas que executa no dia-a-dia, e não o propósito maior da empresa onde trabalha. A maioria se vê dentro de um “sistema” sobre o qual tem pouca ou nenhuma influência. Elas “fazem seu trabalho”, dedicam seu tempo e tentam conviver com forças sobre as quais não exercem controle algum.
Conseqüentemente, tendem a considerar suas responsabilidades limitadas às fronteiras do próprio cargo.
Quando as pessoas na organização se concentram exclusivamente no cargo que ocupam, elas têm pouco senso de responsabilidade em relação aos resultados da interação de todos os outros cargos.
Se nos concentramos apenas no cargo que ocupamos, não conseguimos enxergar como nossas ações se estendem além dessas fronteiras. Quando as conseqüências acabam retornando e nos prejudicando, interpretamos incorretamente esses novos problemas como se fossem provocados por causas externas.
São por esses motivos que as pessoas precisam aprender a trabalhar em equipe, pois a principal característica de uma equipe relativamente desalinhada é o desperdício de energia. Os indivíduos podem dar tudo de si, mas seus esforços não se traduzem eficientemente como esforço da equipe. Por outro lado, quando uma equipe se torna mais alinhada surge uma unicidade de direção, e as energias dos indivíduos se harmonizam. Há menos desperdício de energia. Na verdade, desenvolve-se um propósito comum, uma visão compartilhada, e a compreensão de como complementar os esforços dos outros. Os indivíduos não sacrificam seus interesses pessoais em prol da visão maior do grupo; ao contrário, a visão compartilhada torna-se uma extensão de suas visões pessoais. Na verdade, o alinhamento é a condição necessária para que o empowerment do indivíduo gere o empowerment de toda a equipe. O empowerment do indivíduo, quando o nível de alinhamento é relativamente baixo, agrava o caos e dificulta ainda mais a gerência da equipe.
A aprendizagem em equipe é o processo de alinhamento e desenvolvimento da capacidade da equipe de criar os resultados que seus membros realmente desejam. Ela se baseia na disciplina do desenvolvimento da visão compartilhada, e também no domínio pessoal, pois as equipes talentosas são compostas de indivíduos talentosos. No entanto, visão compartilhada e talento não bastam. O mundo está repleto de equipes com indivíduos talentosos que compartilham uma visão durante algum tempo, mas que não conseguem aprender.
Hoje, quase todas as decisões importantes são tomadas em equipe, seja diretamente ou através da necessidade de equipes para traduzir as decisões individuais em ação. Os feitos da equipe podem definir o tom e estabelecer um padrão para a aprendizagem conjunta de toda a organização.
Um exemplo simples de trabalho em equipe é o vôo dos gansos. Quando está se aproximando o inverno, os gansos migram para um lugar mais quente, para fugir do frio. Eles se dividem em equipes e voam em formação V. O “ganso líder” dita o ritmo do vôo, assim, os demais seguem seu ritmo. E com o passar do tempo, o “ganso líder” vai para o último lugar da fila para poder descansar e um outro ganso toma seu lugar. Desse modo, eles conseguem atingir o objetivo, com uma maior eficiência.
por Tatiane Pocai
Publicado no site KMA Marketing Integrado
sábado, fevereiro 26, 2005
Ademar Santos do Abnoxio a recordar Malraux num comentário a um post no Professorices.
domingo, fevereiro 06, 2005
segunda-feira, janeiro 03, 2005
Esboços Estruturantes
Provavelmente se eu fosse da área das finanças, estava contente por se ter cumprido o limite do défice e iria desejar que em 2005 se conseguisse novamente. Mas de que servia a longo prazo?
Pensemos. È logicamente importante assegurar que os 3% impostos pela União Europeia sejam cumpridos, de modo a que os fundos comunitários e os benefícios não sejam cortados. Nesse sentido é extraordinária a preocupação em corresponder com os compromissos assumidos, mostrando assim responsabilidade, rigor e seriedade. Mas não seria, numa perspectiva de fundo, desejável ter antes 0% de défice ou até um ano superavit, isto é, com lucro? É que 3% do PIB como prejuízo é demasiado e nenhuma carteira aguenta anos disto! Será que não enraizámos demasiado a cota ou percentagem colocada por Bruxelas? Não está já na altura de pensarmos em realizar lucro ou pelo menos em pagar as despesas?
Entre aqueles que não cumprem e os que cumprem a meta dos 3%, prefiro os cumpridores. Mas dentro dos cumpridores, prefiro aqueles que não geram qualquer défice! Mesmo que para isso as medidas a tomar sejam extremamente impopulares…é o futuro que está em causa!
No fundo o que apenas pretendo transmitir é que em 2005 os desejos assentem em algo palpável, prometedor e real, nem que para isso se transplantem raízes, mudem mentalidades ou morram velhos hábitos!
Por exemplo, de que serve dissimular a nossa indignação perante determinados prestadores de serviços que pertencem à economia paralela e praticam preços inflacionados, só porque são difíceis de encontrar, têm pouca disponibilidade e o seu trabalho é-nos extremamente precioso? Porque não exigimos em 2005 que passe a existir de forma palpável e real, uma tabela de preços para prestadores de pequenos serviços pontuais aos quais já nos habituámos a pagar demasiado e sem factura ou recibo em troca? Parar de alimentar a economia paralela deverá começar por nós, exigindo através de um pequeno gesto de pedido de factura, que esta ameaça à sustentabilidade termine! Lamentável é que, quando Bagão Félix referiu tal ideia, tenha sido considerado um ponto alto de humor! Falo de 22% do PIB que têm de ver os seus dias contados, para que se fale de um futuro que não esteja assente em artifícios deste género!
Um futuro que não esteja edificado, tal castelo em risco de desmoronamento, como aconteceu aquando do aumento de milhares de trabalhadores na função pública que se deu de Mário Soares a Guterres passando por Cavaco Silva. Quando não se justifica tal medida e não se verifica melhorias de serviços, de que serve aumentar as despesas públicas e a máquina do estado? Serve propósitos eleitorais?
Mais tarde ou mais cedo terá de ser encarada a realidade e quanto mais tarde, mais dura ela será!
Outro costume instituído mas que tem de ser revisto ou deveria ser actualizado, está relacionado com a “livre circulação europeia”. É um termo e um desígnio que compreendo e estímulo, mas deveria ser equacionado os benefícios que “os suspeitos do costume” auferem. Convinha por variadíssimas razões, sobretudo por algumas que marcaram 2004, controlar mais as fronteiras e a forma como são transpostas. As experiências nem todas resultam bem e não é por já nos termos acostumado a elas que passam a ter carácter vitalício.
Por fim e tendo em conta o ano que se inicia, convém deixar bem patente uma ideia de fundo, que também se enraizou de forma errada e deverá ter a atenção de todos. É necessário ou aconselhável acabar com o objectivo de sermos “redondos”. O país, a sociedade e cada individuo que a compõe, tem de se definir, tem de assumir com convicção as suas ideias e deixar de viver tentando agradar a gregos e a troianos só porque dá menos trabalho ou preocupação. É necessário trabalhar em prol do bem comum, mas é ainda mais importante, assumir divergências para discutir e encontrar as convergências. Não somos todos iguais, uns têm de se mostrar de direita, outros de esquerda, uns progressistas, outros conservadores, uns ateus, outros crentes, mas acima de tudo tem de haver confrontos de ideias, eleitores informados e participação social.
Definitivamente encerrar o capítulo de que “são todos iguais, não vale a pena votar ou participar porque são todos iguais…”
Há que distinguir as diferenças, há que primar pela cultura da informação e acompanhamento da vida política. Só assim se mudará e melhorará um país. Só assim acabaremos com raízes artificiais e incompreensivelmente persistentes. Só assim os desejos para 2005 farão sentido e se sentirão nos anos seguintes!
Por JOÃO MARIA CONDEIXA
Axónios Gastos
Fonte: Notícias Alentejo
sexta-feira, novembro 12, 2004
Futurologia
Lenda de S. Martinho
sexta-feira, novembro 05, 2004
Sai mais um tinto…
sábado, outubro 09, 2004
O Preço da Liberdade
Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade. Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção fácil das multidões ou das leis.
Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que ela exige - sempre.
Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não a de cada um, individualmente, mas a de todos. O preço de termos empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e friamente, aquilo que merecemos.
Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas exigem absolutamente. Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser mungido na Quinta dos Influentes?
2. Há dois anos atrás, ingenuamente, aceitei fazer parte de uma comissão nomeada pelo anterior Governo e cuja missão principal era definir como deveria funcionar a televisão pública, com que meios e financiamentos e a que regras deveria obedecer. Como eu, várias outras pessoas, que nada quiseram nem receberam em troca, sacrificaram muito dos seus tempos úteis e livres, para, dentro do prazo fixado, dotar o Governo do resultado de uma reflexão, em forma de propostas concretas, que reunia o maior consenso possível entre gente de diversas proveniências e ideias. Recebido o trabalho e fingindo-se escudado nas conclusões da sua "comissão independente", o ministro Morais Sarmento meteu as conclusões ao bolso e, até hoje, nem um obrigado nos disse.
Entre as conclusões que ele fez desaparecer instantaneamente na atmosfera, estava uma que recomendava que as regras editoriais e deontológicas estabelecidas para o funcionamento da televisão pública tivessem, obviamente, extensão a todo o território nacional, incluindo Açores e Madeira. Porque, tanto quanto era do nosso conhecimento, nas regiões autónomas vigora a mesma Constituição, o mesmo regime democrático e o mesmo Estado.
Porém, a solução adoptada para a Madeira foi exactamente a oposta e que veio ao encontro das antigas e persistentes exigências do soba local: a RTP-Madeira foi dada de bandeja ao dr. Jardim, aí vigorando, como no resto da vida pública local, uma concepção de liberdade de informação que se confunde com aquela em que o dr. Jardim aprendeu a fazer jornalismo, no tempo do partido único, da censura e da ditadura. E a coisa seguiu assim, sem escândalo de maior. Esta semana, porém, a sem-vergonha do regime madeirense chegou ao extremo de o PSD-Madeira (um eufemismo do dr. Jardim) protestar oficialmente pelo facto de a RTP nacional ter enviado equipas de reportagem à Madeira para cobrirem (para o continente, exclusivamente) as eleições locais - o que, segundo eles, constitui um "insulto à alta capacidade dos profissionais da RTP-Madeira". E mais, indignaram-se eles com o facto de os jornalistas idos de Lisboa "se terem instalado num hotel", a partir do qual "transmitem para Lisboa aquilo que em segredo montam, com máquinas que trouxeram e aí colocaram". Por mais que puxe pela memória, só consigo lembrar-me de coisa semelhante comigo ocorrida na antiga Roménia de Ceausescu. O PSD-Madeira é hoje o único regime em toda a Europa que considera um insulto e uma ameaça a presença de jornalistas "estrangeiros" a reportarem para fora como funciona o seu regime.
Será isto, pergunto, "o regular funcionamento das instituições democráticas", tão caro ao Presidente da República? Ou a excepção democrática madeirense já está definitivamente assumida como coisa banal e inevitável?
Por MIGUEL SOUSA TAVARES
quinta-feira, setembro 30, 2004
domingo, setembro 26, 2004
Magna Charta Universitatum
Os Reitores das Universidades europeias, abaixo assinados, reunidos em Bolonha por ocasião do IX centenário da mais antiga de entre elas, quatro anos antes da supressão definitiva das fronteiras comunitárias e na perspectiva de uma colaboração alargada entre todos os povos europeus, entendendo que os Povos e os Estados devem mais do que nunca tomar consciência do papel que as Universidades serão chamadas a desempenhar numa sociedade que se transforma e se internacionaliza, consideram:
1) que o futuro da humanidade, neste fim de milénio, depende em larga medida do desenvolvimento cultural, científico e técnico que se forja nos centros de cultura, de conhecimento e de investigação em que se tornaram as verdadeiras Universidades;
2) que a tarefa de difusão dos conhecimentos que a Universidade deve assumir para com as novas gerações implica hoje que ela se dirija igualmente ao conjunto da sociedade - cujo futuro cultural, social e económico exige, nomeadamente, um considerável esforço de formação permanente;
3) que a Universidade deve assegurar às gerações futuras uma educação e uma formação que lhes permita contribuir para o respeito dos grandes equilíbrios do ambiente natural e da vida.
Proclamam, perante os Estados e a consciência dos povos, os princípios fundamentais que devem sustentar no presente e no futuro a vocação da Universidade.
Princípios fundamentais
1. A Universidade é, no seio de sociedades diversamente organizadas e em virtude das condições geográficas e do peso da história, uma instituição autónoma que, de modo crítico, produz e transmite a cultura através da investigação e do ensino.
Para se abrir às necessidades do mundo contemporâneo, ela deve ser, no seu esforço de investigação e de ensino, independente de qualquer poder político, económico e ideológico.
2. Nas Universidades, a actividade didáctica é indissociável da actividade de investigação, a fim de que o próprio ensino possa acompanhar a evolução das necessidades e as exigências da sociedade e dos conhecimentos científicos.
3 Sendo a liberdade de investigação, de ensino e de formação princípio fundamental da vida das Universidades, os poderes públicos e as mesmas Universidades, cada um no seu domínio de competência, devem garantir e promover o respeito dessa exigência fundamental. Na recusa da intolerância e no diálogo permanente, a Universidade é um local de encontro privilegiado entre os professores, capazes de transmitirem o saber e os meios de o desenvolver através da investigação e da inovação, e os estudantes, que têm o direito, a vontade e a capacidade de com isso se enriquecerem.
4. Depositária da tradição do humanismo europeu, mas com a preocupação constante de alcançar o saber universal, a Universidade, para assumir as suas missões, ignora as fronteiras geográficas ou políticas e afirma a necessidade imperiosa do conhecimento recíproco e da interacção das culturas.
Meios
A realização destes objectivos, no quadro de principios semelhantes, exige meios eficazes e portanto adaptados à situação contemporânea.
1. Para preservar a liberdade de investigação e de ensino devem ser dados, ao conjunto dos membros da comunidade universitária, os instrumentos necessários à sua realização.
2. 0 recrutamento dos professores - bem como a regulamentação do seu estatuto - devem ser orientados pelo princípio da indissociabilidade da actividade de investigação e da actividade didáctica.
3. Cada Universidade deve garantir aos estudantes, respeitando a especificidade das situações, a salvaguarda das liberdades e as condições necessárias para atingirem os seus objectivos em matéria de cultura e de formação.
4. As Universidades - e nomeadamente as Universidades europeias - vêem na troca recíproca de informações e de documentação, e na multiplicação de iniciativas científicas comuns, os instrumentos fundamentais para o progresso contínuo dos conhecimentos.
Por essa razão, e encontrando aí as suas fontes, as Universidades encorajam a mobilidade dos professores e dos estudantes, e consideram que uma política geral de equivalências em matéria de estatuto, de títulos, de exames (preservando embora os diplomas nacionais) e de atribuição de bolsas constitui o instrumento essencial para garantir o exercício das suas missões contemporâneas.
Os Reitores abaixo assinados, em nome das suas Universidades, comprometem-se a tudo fazer para que cada Estado e as organizações supranacionais interessadas possam inspirar-se progressivamente nas disposições desta Charta, expressão unânime da vontade autónoma das Universidades.
Bolonha, 18 de Setembro de 1988
in magna-charta.org
Universidades signatárias.
sexta-feira, setembro 24, 2004
SOBRE O FIM DO SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO
Por que defendo eu isto? Que vantagens daí adviriam para a sociedade? Bem, para mim pelo menos é claro que a minha geração é egoísta. Há um enorme défice de participação cívica, que convém corrigir desde tenra idade. Por isso eu proponho este serviço logo aos 18 anos, assim que se acabar a escola secundária, sem adiamentos (exactamente como na Alemanha). Quem seguisse para a universidade já teria assim tido pelo menos uma responsabilidade séria na vida (ser estudante de licenciatura, estudar para uns exames, pode ser duro intelectualmente, requer alguma responsabilidade mas não muita, e ainda menos em Portugal). A minha experiência diz-me que os estudantes mais sérios e trabalhadores são... os trabalhadores-estudantes (nos EUA, por exemplo, são a maioria). Com esta medida creio que se aumentaria a taxa de aproveitamentos das nossas universidades: os estudantes passariam a levar o estudo mais a sério (embora eu nem creia que os estudantes sejam os principais culpados das elevadas taxas de reprovação, mas isso é outro assunto).Eu não fiz a tropa; o meu contacto com o serviço militar limitou-se à inspecção. Mas hoje vejo que teria dedicado de bom gosto alguns meses da minha vida a uma actividade destas, desde que toda a gente os dedicasse também. Não sei o que pensarão desta proposta o Luís e o Daniel, que fizeram a tropa e se manifestaram a favor do fim do SMO. Mas sei que esta proposta não será nada popular entre os sectores afectos à direita liberal e ao Bloco de Esquerda, que se unem numa estranha coligação contra o SMO (e provavelmente contra qualquer coisa que inclua a palavra "obrigatório") pelos mesmos motivos egoístas e individualistas. (Razão tinha Pacheco Pereira ao afirmar, há uns anos, que a propaganda anti-SMO então distribuída pela JSD, na altura liderada pelo actual secretário de Estado da Juventude, mais parecia "propaganda do PSR".) É provável que leve muita pancada, principalmente de pessoas que não foram à tropa. Não me importa. Não me assusta levar pancada de quem não foi à tropa..."
in BdE - Blogue de Esquerda (II)